quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Por você eu esperei mais do que devia.
Pra você eu garanti mais do que podia.
Entre suas idas e vindas, eu fiquei.
Fiquei parada como qualquer um ficaria.
Mas cansei.
Cansei das tuas desculpas baratas e das tuas promessas vulgares.
Tuas migalhas não mais me satisfazem.
Mas de tanto procurar, encontrei.
Encontrei o que me cai bem: amor próprio, neném. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Talvez

Os dias são maratonas, e o prêmio é - por sorte - te encontrar. Quando você não vinha, costumava queimar por dentro, mas joguei uma água fria nisso tudo. Afinal, palavras não são garantias, e o que você fala nem sei se é verdade. Então prefiro deixar assim: você aí, eu aqui. Fácil não é, nem nunca foi. Queria mesmo estar em seus braços, recebendo seus mimos e acariciando seus cabelos ainda úmidos depois da chuva que tomou voltando do trabalho. Mas querer nunca foi poder. Quer dizer, acredito sim que querer seja poder, mas nesse caso não. Talvez não seja pra ser, talvez seja melhor assim. Joguei um balde de água nisso tudo. Talvez você volte, talvez não. Prefiro que não. Assim não passo pelo sufoco de me entregar de novo, como se isso não fosse uma luta pra mim. E o engraçado é que eu sei que assim que você voltar, eu estarei lá. Não foram reunidas forças o suficiente, e por isso, prefiro que você espere do lado de fora, até eu conseguir sair pela porta e não notar sua imagem. Tudo bem, tudo acabará bem. Só uma coisa... Se você decidir voltar, por favor, esqueça que sequer um dia eu existi. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

São tempos difíceis para os sonhadores...

Estava terminando seu almoço em uma quarta feira ensolarada. Juntou os talheres no prato e levantou, colocou-os na pia e se retirou. De longe, ouviu os murmúrios. "Acho que ela está muito iludida". "Sim, eu concordo. Passou da hora de colocar os pés no chão". Parou por um instante, engolindo em seco toda essa história. É engraçado como os outros gostam de apontar o dedo sem saber, na real, o que está acontecendo. É fácil demais dizer que algo é ilusão, que não se deve botar esperança demais em alguma coisa, quando se está olhando de fora.
Fazia seis meses desde que o conhecera. Ela tentou lutar pra não se entregar, mas, pela primeira vez na vida, decidiu deixar o coração falar mais alto. "Quando eu penso com a cabeça, ninguém fala nada. Mas é só ser um pouco mais emotiva que ficam falando de ilusão". Pensava. Que grande merda. Seus pais sempre foram controladores, e esse fato pesava muito em sua vida. Tinha enorme dificuldade pra tomar decisões sozinha, não acreditava muito na sua capacidade de escolha, e quando parava pra pensar nisso, ficava de estômago embrulhado, pois sabia que, se fosse perseguir seus sonhos, seria acusada de louca desvairada, sem razão alguma, totalmente iludida. As pessoas gostam de botar pra baixo, né? PARE DE SONHAR TÃO ALTO, seus amigos diziam. Mas não dava. Viver desse jeito pra sempre? Definitivamente não era pra ela. Não mesmo... Não queria sua vida igual a tudo que se vê. Ela até podia sonhar alto, mas eram seus sonhos, e se ela os tinha, não era por acaso. Tudo nessa vida tem 50% de chance de dar certo e 50% de chance de dar errado. Tudo bem, sabia que podia ser uma loucura, mas e a metade que poderia dar certo? Quem disse que é impossível? Mas sabe, bem lá no fundo, ela precisava de alguém que lhe dissesse que aquilo não era tão absurdo assim, "não tenha medo de arriscar, de botar tudo a perder, siga seu instinto". Porém, longe disso. Tudo que escutava eram coisas como "você é doida!", "tá pirada, garota?". AAAAAAAAAAAH! Quanta ignorância. Chega disso. 
Dois meses se passaram e ela comprou o bilhete de avião, contra a vontade de quase todos. "Depois não diga que não foi avisada", foi a reação de seu pai. Sua mãe até tentou demonstrar confiança na própria filha, mas achava, na verdade, a maior burrada de sua vida. Sim, ela se sentiu fraca diante disso tudo. "Será que eu tô fazendo besteira? Será que estou cega? AI MEU DEUS, POR QUE NÃO CONSIGO TOMAR AS RÉDEAS DA MINHA VIDA?". Bom, agora já foi. Ela precisava desse tempo mesmo. 
O grande dia chegou. Foi ao aeroporto. O avião chegou, decolou e pousou. CHEGOU. Olhou por entre a multidão e avistou o rosto tão conhecido, mas tão distante ao mesmo tempo. Deu o abraço que a tanto tempo sonhava. Seus olhos se enxeram de lágrimas, nem acreditava que estava lá. Poderia finalmente tocá-lo, senti-lo. "Só os anjos sabem como ansiei por esse momento". Ele estava tão emocionado quanto ela. Entraram no hotel e ficaram juntos a noite toda, como prometeram. Se isso seria para sempre? Não fazia ideia. Se foi a decisão certa? Com certeza. Por que queria tanto aquilo? Certamente porque todos disseram que era impossível, mas nunca acreditou neles. E não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

domingo, 19 de janeiro de 2014

(Re)aprendendo

Você demora, mas vem. E quando vem, me faz largar tudo pra ir ao teu encontro. Cancelo compromissos, cancelo família, cancelo o que for preciso, as vezes apenas pra ouvir sua voz. Grande tola. Estou sempre à disposição, e acho que te acostumei mal quanto a isso. Por isso quero que entenda que, apesar de te querer a cada segundo, eu não posso mais. Sinto minha própria falta, preciso ficar mais comigo, ditar minhas próprias regras. Você se importa, mas não sei se o suficiente. Tô pensando em baixar a dose de você. Pro meu bem. Pro nosso bem. Assim, se você quiser, que largue tudo, acho que é sua vez de mexer uns pauzinhos. Simplesmente não abrirei mais mão do meu eu em troca de algumas migalhas que você joga. Você sabe onde me encontrar, sabe sim. Eu é que fico dando desculpas pro seu sumiço. Mas quem quer, de fato, arranja qualquer segundo, nem que seja pra mandar um 'oi' superficial e amargo. Então, declaro oficialmente que de hoje em diante, eu falo com você quando EU quiser, não quando você achar conveniente. Quem vai ter de correr atrás é você, SE for de seu interesse. Caso contrário, estou dando as costas pra esse amor, que afinal nem sei se é amor. Enfim, acho que você sabe onde me encontrar. Se voltar, voltou. Senão, só lamento.

domingo, 8 de setembro de 2013

E de repente... - Parte l

Já passava da meia noite quando ela entrou em seu quarto e colocou sua música predileta no rádio. Era uma sexta feira a noite e havia acabado de chegar da faculdade. Empurrou a cama e o criado mudo e resolveu mexer o corpo. Fechou seus olhos e se entregou ao ritmo como se estivesse se libertando de si própria. Dançou a mesma música umas cinquenta vezes - mas não se cansou. Fazia tempo que aquele sopro de liberdade não roçava seu frágil rosto. Em apenas uma semana pôde ver seu mundo virar de cabeça pra baixo e retornar no seu posto em questões de minutos. Tudo de que ela precisava era daquele conselho, daquela conversa que veio no momento certo para salvar sua alma. Palavras simples, mas que vieram no momento certo de seu devaneio. "Pare de tentar ser algo que você não é. Foda-se se você é tímida demais, foda-se se você não consegue simplesmente ignorar as coisas que acontecem como se estas fossem normais. Não precisa fingir que você não liga pra tal coisa se, na verdade, você está se corroendo. Seja sincera consigo mesma". Lembrou das palavras e colocou a música para repetir. Ser sincera consigo mesma. Não se enganar. Não se deixar levar por opiniões alheias. Viva à sua maneira. Já passava das duas quando resolveu deitar. Fechou os olhos e se mexeu na cama, buscando uma posição favorável. Foi quando seu celular tocou. Ela olhou. Ignorou. Fechou os olhos novamente. Tocou. Ignorou. Tocou. Desligou. "Agora não me venha encher o saco". Estava decidida a seguir sozinha sem dar explicações ou razões. Simplesmente desapareceria, pois já passava da hora de se encontrar, de se tocar, de se descobrir sozinha. Só iria pensar em companhia quando estivesse madura o suficiente para superar os desencontros que a vida propôs para que se encontrasse. "Sozinha. Eu e mais ninguém". O sono não chegou. Deu um beijo na mãe e disse que precisava sair um pouco; quem sabe assistir o sol nascer no capô do carro enquanto acendia um cigarro barato e exalava suas novas decisões. Pegou as chaves, abriu o carro e ligou o rádio. Saiu pelas avenidas sem destino e não pensou em parar. Passou por quatro cidadezinhas e avistou um bar. Parou por lá. Desligou o motor e o rádio. Comprou o tal cigarro barato e sentou no balcão. Pediu uma porção de salame e, enquanto esperava seu petisco, avistou um belo moreno do outro lado do bar. Trocaram olhares. "Pare de olhar pra boca dele, agora é você e você". Ela riu por dentro. Morenos sempre mexeram com ela. Morenos com lábios carnudos, nem se fala. Inspirou. O moço a olhava com olhos de tigre. "Puta que o pariu! Logo hoje que decidi ficar só; que ironia". A atração foi fatal. Levantou-se e foi até o banheiro. "Vou comer o salame e parar em algum lugar pra ver o sol nascer - sem homens". Olhou-se no espelho, prendeu o cabelo e um coque desajeitado e saiu. "Opa, o que esse gostoso quer comigo?", pensou enquanto trombava com o belíssimo na frente da porta do toalete. Desviou-se dele e sentou no mesmo banco em que estava antes. A porção ficou pronta - sorte, pois seu estômago já estava reclamando. Estava feliz com sua comida quando o garanhão sentou-se do seu lado. "Bosta, sei que não resistirei". Ela olhou para o lado, querendo rir com a malícia que passava pela sua cabeça. Ele fez um sutil "psiu" e abriu um largo sorriso. Ela olhou com cara de quem não quer nada. "Olá". "Você não se lembra de mim?". Merda, quem será. "Desculpe, mas não te reconheço de lugar nenhum; não que eu me lembre". Ele riu com o canto da boca. Belos lábios convidativos - pensou ela, já cheia de desejo. "Fui seu vizinho até os sete anos de idade". Puta merda, era o Rafa. Uau, ele cresceu, hen! "Nooooooossa, não acredito! Rafael! Como vai a vida?". "Vai ótima. E a sua?". "Vai bem também". Deram um longo abraço enquanto se cumprimentavam. Eles brincavam todo santo dia juntos na rua, naquela pequena casa, e quando Rafa se mudou, ela chorou por um mês todinho - ele era seu melhor amigo, seu companheiro de tudo. TUDO. E uau, ele está de matar! Ele aproximou-se de sua cadeira e passou as mãos lentamente sob suas coxas, como quem não quer nada. Olharam-se pesarosamente, e quando menos se deram conta, seus lábios já estavam no mesmo ritmo, dançando a mesma canção. 




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Foda-se


Sabe, tem hora na vida da gente que temos que fazer escolhas sérias e desafiadoras. Você tem que escolher entre você e o mundo, entre o seu querer e o querer do destino. Nem sempre conseguimos entender a vida, os rumos que as coisas tomam ou porque tal coisa parece só acontecer conosco. Mas uma hora isso cansa. Cansa porque você passa muito tempo se martirizando pensando no que fez de errado, porém, o que tá destorcido é o mundo, e nem sempre você. Você cansa de botar tanta energia numa coisa sem reciprocidade, cansa ficar igual babaca esperando o outro vir e alegrar teu dia. Porra! Sua felicidade realmente depende dos outros? Com certeza, não. Nem nunca dependerá. Só precisamos saber por um ponto final nessa história que só sabe machucar. Não corra atrás de quem sabe onde te encontrar - ah, mas como dói! Dói ver que o outro, sem mais nem menos, simplesmente decidiu mudar de lado. Do nada. Macacos me mordam, como isso dói! Isso estraga muita coisa, isso cansa, isso esgota. Ficamos igual idiotas esperando a pessoa enquanto ela não tá nem aí, ela simplesmente não se importa; ela simplesmente não tem caráter suficiente pra chegar e te mandar a real. E o que custa mandar a real? Qual é o preço da sinceridade? Presumo ser caro, já que raras pessoas usam-na hoje em dia.

Um dia precisamos acordar, mesmo que sem vontade alguma. Precisamos parar de idealizar a vida, precisamos apenas deixar que ela tome seu rumo, e você com certeza não se decepcionará. Mas se alguém souber como se faz isso, por favor me avise. Mas mesmo sem saber, agir é necessário. Ninguém se safa das decepções dessa vida, mas, na real mesmo, é isso que nos impulsiona. É conseguir olhar pra dentro de você e pensar "me fodi", e mesmo assim tentar enxergar o lado colorido disso tudo. Todo mundo se fode, todo mundo sofre, todo mundo cria expectativas em cima de pessoas vazias, todo mundo toma no cú. Mas essa é a lei da vida. E assim vamos seguindo. Vivendo e aprendendo. Errando e se fodendo (pena que não literalmente)! E é isso: levante essa cabeça e suba no salto. E o resto que se foda.

domingo, 25 de agosto de 2013

Anormal é mais legal

Sempre me adaptei bem aos lugares e às novas pessoas. Sempre gostei de observar a multidão e analisar atitudes alheias - e aprender com tudo isso. Sempre gostei de conversar sozinha, cantar sozinha, dançar sozinha. Me dou bem comigo mesma. Aprecio um bom livro num dia chuvoso (ou ensolarado, nublado, de qualquer jeito). Gosto do cheiro da manhã, e gosto do cheiro da gasolina também. Gosto de dirigir sem destino. Gosto de gente exagerada, gente que transborda, gente que não é padronizada. Gosto de rir - de gargalhar - e amo fazer os outros rirem. Aprecio uma dose de sinceridade, aprecio autenticidade e também gosto de estranheza. Nada de normal demais. Gente estranha me inspira, me leva a admirar coisas que ninguém admira; e eu gosto disso. Gosto de enxergar além do óbvio, mesmo sabendo que hoje em dia isso não conta nada. Gosto de viver no limite, de me testar (prova disso é minha conta bancária), de ver até onde posso chegar - me conhecer - mas conhecer de verdade verdadeira. Tenho asco de falsidade e mentiras. Gosto de fazer loucuras sem pensar, mesmo que depois bata aquele arrependimento: eu sempre vou poder olhar para trás e pensar "cacete,
não devia ter feito isso"; mas se eu não faço, como saber se os frutos serão bons ou ruins? Claro, tudo isso com sanidade mental, nada que possa acabar com minha vida toda. Tudo isso me prova uma coisa: eu estou viva, e muito bem - obrigada.


Uma vez ouvi uma frase que me marcou muito, era mais ou menos assim:

"Meu único conselho à juventude é: façam. Ao invés de ficarem se perguntando "será que eu devo fazer isso?", vá lá e faça. O máximo é você se arrepender depois e sentir uma raiva de si mesmo, mas isso passa logo".